
A egiptologia é a disciplina que estuda a civilização egípcia antiga, desde o período pré-dinástico (5000 a.C.) até a conquista romana do Egito (30 a.C.). Essa área do conhecimento envolve a arqueologia, a história, a arte, a religião, a literatura e outras manifestações culturais daquele povo.
Os estudos egiptológicos são importantes para a compreensão da história da humanidade e para a preservação da cultura egípcia antiga. Entre as principais fontes de informação utilizadas pelos egiptólogos estão os monumentos, as tumbas, os papiros, as inscrições, os objetos de uso cotidiano e as múmias (SHAW, 2003).
Uma das principais contribuições dos estudos egiptológicos foi a decifração da escrita hieroglífica, através da Pedra de Roseta, que permitiu a leitura e compreensão de inscrições e documentos antigos. O trabalho de decifração foi iniciado pelo francês Jean-François Champollion no século XIX (BUDGE, 1989).
Outro aspecto importante da egiptologia é a investigação das crenças e práticas religiosas dos antigos egípcios. A religião permeava todas as esferas da vida naquele período e muitos dos seus aspectos ainda são um mistério para os estudiosos. Entre as principais divindades egípcias estão Rá, Osíris, Isis e Hórus (TEETER, 2011).
Além disso, a egiptologia tem contribuído para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento, como a medicina, a astronomia e a matemática, que eram bastante avançadas na antiga civilização egípcia (CLAGETT, 1989).
O Livro dos Mortos do Antigo Egito
Para os egípcios, a alma era considerada imortal e de natureza divina, “pois mesmo depois de separada do corpo continuava a viver, viajando para a eternidade” (O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGITO, 2005, p.10). É por essa razão que surge O Livro dos Mortos. O Livro dos Mortos é uma coleção de textos funerários que eram enterrados com os mortos no Antigo Egito. Os textos variavam de acordo com a época e a região em que foram escritos, mas todos eram considerados essenciais para fornecer instruções para a jornada do morto no Duat, o reino dos mortos, e para ajudar o falecido a passar pelo julgamento perante os deuses. Caso ele passasse no julgamento, garantiria a sua vida após a morte.
Segundo Assmann (2005), o Livro dos Mortos se desenvolveu a partir de textos funerários mais antigos, como o Texto das Pirâmides e o Texto dos Sarcófagos, que eram escritos em hieróglifos nos túmulos dos faraós. O Livro dos Mortos surgiu durante o Império Novo, entre 1550 e 1070 a.C., e era escrito em papiro, uma planta abundante nas margens do Rio Nilo. O texto era acompanhado por ilustrações coloridas que representavam cenas da vida após a morte, como o julgamento perante Osíris, o deus dos mortos.
O Livro dos Mortos não era um livro único, mas sim uma coleção de textos que variavam de acordo com as crenças e práticas funerárias de cada região e época. De acordo com Pinch (2002), a maior parte dos exemplares sobreviventes foi encontrada em túmulos de membros da elite egípcia, mas também foram encontrados em túmulos de pessoas comuns.
Os textos do Livro dos Mortos incluem fórmulas mágicas (encantamentos) para a proteção do morto em sua passagem pelo além, orações, hinos e instruções para a realização de cerimônias funerárias. Esses textos eram escritos em hieróglifos, uma escrita pictográfica que era reservada aos sacerdotes e aos escribas. Com o tempo, o Livro dos Mortos também foi escrito em hierático, uma versão simplificada do hieróglifo, que era mais acessível para as pessoas comuns.
O Livro dos Mortos foi uma das principais fontes de informação sobre as crenças e práticas funerárias do Antigo Egito. Os textos foram traduzidos e estudados por egiptólogos de todo o mundo, que buscaram entender a visão de mundo dos antigos egípcios e como eles concebiam a vida após a morte.
Conclusão
O estudo do Egito Antigo nos dá algumas pistas de como viviam e como morriam os indivíduos desta tão avançada sociedade. A sua fixação pela morte revela que eles pensavam que a vida não termina aqui, pelo contrário, que ela é apenas uma preparação para a vida real que existe no além. As múmias, os sarcófagos, os hieróglifos, as pirâmides e os textos funerários são todos aspectos que compreendem esta rica cultura.
Referências:
ASSMANN, J. Death and salvation in ancient Egypt. Ithaca: Cornell University Press, 2005. Disponível em: <https://ia801401.us.archive.org/12/items/ASSMANNDeathAndSalvationInAncientEgypt/ ASSMANN_Death_and_Salvation_in_Ancient_Egypt.pdf>. Acesso em: 25. abr. 2023.
BUDGE, E. A. W. The Rosetta Stone. Nova Iorque: Dover Publications, 1989.
CLAGETT, M. Ancient Egyptian Science: A Source Book. Vol. 1: Knowledge and Order. Filadélfia: American Philosophical Society, 1989.
O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGITO (sem autor). Tradução de Edith de Carvalho Negraes. 9. ed. São Paulo: Hemus, 2000.
PINCH, G. Handbook of Egyptian mythology. Santa Barbara: ABC-CLIO, 2002. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=N-mTqRTrimgC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 25. abr. 2023.
SHAW, I. The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2003.
TEETER, E. Religion and Ritual in Ancient Egypt. Cambridge: Cambridge University Press, 2011.
