A Epistemologia é um dos três grandes ramos da filosofia e estuda a natureza do conhecimento, isto é, como ele é adquirido, o que o possibilita, quais as suas aplicações e limitações. O que é passível de ser estudado pelo ser humano? O que pode ser seu objeto de conhecimento? A epistemologia busca responder à essas e à muitas outras perguntas.
Sua relevância se dá porque nos ajuda a entender como os seres humanos adquirem conhecimento e como esse conhecimento pode ser verificado e justificado. Além disso, a epistemologia é fundamental para a ciência, pois fornece um conjunto de critérios para avaliar a validade das teorias científicas.
“Para a maioria dos cientistas, o mundo é simplesmente dado e as teorias científicas visam apenas descrevê-lo e explicá-lo. As teorias são testadas por meio da observação, e aquelas que passam no teste são aceitas como verdadeiras. Mas o filósofo e historiador da ciência Thomas Kuhn mostrou que a realidade é mais complexa do que isso. Segundo Kuhn, as teorias científicas não são simplesmente testadas em relação aos fatos, mas são construídas em torno de paradigmas – modelos teóricos que moldam a forma como os cientistas veem e interpretam a realidade” (KUHN, 2013, p. 10).
Encontram-se abaixo alguns dos principais contribuintes da Epistemologia:
- Francis Bacon: Propôs a ideia de que a observação sistemática e a experimentação são essenciais para a descoberta do conhecimento científico (BACON, 1973).
- René Descartes: Desenvolveu o método da dúvida sistemática, questionando todas as crenças e conhecimentos prévios, e propôs a famosa frase “Cogito, ergo sum“, “Penso, logo existo” (DESCARTES, 1973).
- David Hume: Argumentou que todo conhecimento humano se baseia em impressões sensoriais, e que a causalidade é uma construção mental, e não algo que possa ser observado empiricamente (HUME, 1973).
- Immanuel Kant: Desenvolveu a ideia de que o conhecimento humano é moldado pelas estruturas da mente, e que o mundo como o conhecemos é resultado da interação entre a experiência sensorial e as categorias mentais (KANT, 1980).
- John Locke: Propôs a teoria do empirismo, argumentando que todo conhecimento humano é adquirido através da experiência sensorial (LOCKE, 1973).
- Karl Popper: Propôs a ideia de que a ciência não pode provar teorias, mas apenas refutá-las, e que a falseabilidade é uma característica essencial de uma teoria científica (POPPER, 2000).
- Willard Van Orman Quine: Argumentou que todo conhecimento é dependente da linguagem e que a observação empírica é sempre interpretada dentro de um sistema teórico (QUINE, 1960).
- Bertrand Russel: Propôs a teoria do atomismo lógico, argumentando que toda proposição complexa pode ser reduzida a proposições simples, e que o significado das proposições depende de seus elementos simples (RUSSELL, 1973).
- Ludwig Wittgenstein: Propôs que o significado das palavras depende de seu uso na linguagem, e que a compreensão do significado requer uma compreensão do uso da linguagem (WITTGENSTEIN, 2010).
Essas são algumas das principais ideias dos filósofos da epistemologia mencionados anteriormente, todas elas com contribuições importantes para o entendimento do conhecimento humano e sua relação com o mundo.
Referência
BACON, Francis. Novum Organum. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
HUME, David. Investigação sobre o Entendimento Humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 12. ed. São Paulo: Perspectiva, 2013. Disponível em: <https://ppec.ufms.br/files/2020/10/A-estrutura-das-revolu%C3%A7%C3%B5es-cient%C3%ADficas-Kuhn.pdf>. Acesso em: 25. abr. 2023.
LOCKE, John. Ensaio Acerca do Entendimento Humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 2000.
QUINE, Willard Van Orman. Word and Object. Cambridge: MIT Press, 1960.
RUSSELL, Bertrand. Os Problemas da Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp, 2010.
