A Grécia antiga foi um prolífero berço de escolas filosóficas, dentre elas o Estoicismo. O Estoicismo é uma filosofia do período helenista, criada por Zenão de Cítio (333-264 a.C.) no século II a.C. Sua principal premissa é que a razão e Deus são conceitos inexoravelmente interligados e que o universo é um universo racional, isto é, com propósito, conectado e organizado. Dentro dessa perspectiva, a natureza, o universo e todos os seres humanos são uma única entidade. Essa máxima é expressa pelo pensamento de Marco Aurélio:
“todas as coisas estão entrelaçadas umas nas outras e essas conexões são sagradas: de algum modo, nenhuma é estranha a outra, pois cada uma está coordenada às outras e ela contribui para ordenar a ordem do mundo, pois uma só ordem do mundo resulta de todas as coisas e um só deus percorre todas as coisas e uma só substância e uma só lei: a Razão que é comum a todos os viventes dotados de pensamento” (MARCO AURELIO, VII, 9).
A ética estoica se cauciona na virtude natural do ser humano, a razão. Diferentemente dos animais, que são governados pelos instintos, a natureza humana é de uma outra sorte, de tal maneira que a razão governa seus atos, produzindo assim o agir ético. Esse proceder encontra harmonia com a ordem natural do universo (MOURA, 2012).
Nesse contexto, as paixões ou os vícios, seriam, para os estoicos, fruto da ignorância. A ignorância produziria 4 paixões fundamentais: Desejo, Medo, Prazer e Dor (BRENNAN, 2006 apud MOURA, 2012).
“Desejo é a opinião de que alguma coisa futura é um bem, de modo que devemos alcançá-la. Medo é a opinião de que alguma coisa futura é um mal, de modo que devemos evitá-la. Prazer é a opinião de que alguma coisa presente é um bem, de modo que devemos exultar perante ela. Dor é a opinião de que alguma coisa presente é um mal, de modo que devemos abater-nos perante ela” (BRENNAN, 2006 apud MOURA 2012, p. 115).
Além disso, a doutrina estoica era representada pela imagem de uma árvore, na qual o caule seria a física, os galhos, a lógica; e as folhas seriam a ética, ou moral (MOURA, 2012).
A filosofia estoica influenciou profundamente a filosofia ocidental. Segundo Moura (2012) é possível encontrar rastros da filosofia estoica nas produções de Kant e Freud. Os principais expoentes do Estoicismo foram Zenão de Cítio, seu fundador, Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio, o imperador romano.
O Estoicismo moderno também propõe a incapacidade do ser humano de controlar os eventos que o cercam. Essa ideia da incapacidade de controle gera como resultado a noção de que o que é passível ser controlado pelos seres humanos é a sua reação às situações; como agir diante de determinadas circunstâncias.
Referências
BRENNAN, T. Psicologia moral estóica. In: INWOOD, Brad (org). Os Estóicos. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.
MARCO AURÉLIO. Meditações. Introdução, tradução e notas de Jaime Bruna. São Paulo: Editora Cultrix, 1989.
MOURA, D. T. A ética dos estoicos antigos e o estereótipo estoico na modernidade. Cadernos Espinosanos, [S. l.], n. 26, p. 111-128, 2012. DOI: 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2012.89459. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/espinosanos/article/view/89459>. Acesso em: 26 abr. 2023.
