A metafísica é uma área da filosofia que se dedica ao estudo dos princípios fundamentais da realidade e do universo, incluindo questões como a existência, a essência, a causalidade, a substância e a possibilidade. Ela se desenvolveu ao longo da história da filosofia, desde os pré-socráticos até os filósofos contemporâneos. A palavra metafísica vem da combinação de duas palavras gregas, meta, que significa depois ou acima e physika (ou physis), que significa natureza. Sendo assim, metafísica é o estudo daquilo que está para além da natureza ou para além da natureza física.
Platão foi um dos filósofos da metafísica, tendo desenvolvido uma teoria das ideias ou formas, segundo a qual as coisas do mundo sensível são apenas sombras ou cópias imperfeitas das formas perfeitas, que existem em um mundo inteligível. A metafísica de Platão também é conhecida por sua teoria da alma, que é imortal e preexistente ao corpo, e sua concepção de Deus como o ser supremo e criador do mundo (PLATÃO, 2016).
Segundo Aristóteles, a metafísica é o estudo daquilo que é imutável, universal e necessário, e tem como objetivo investigar a essência das coisas. Em sua obra “Metafísica”, Aristóteles defende que a realidade é composta de substâncias individuais, que possuem uma essência e uma forma e que são organizadas em categorias, como substância, quantidade, qualidade, relação e tempo. A essência é aquilo que torna uma coisa o que ela é, enquanto a forma é aquilo que permite que ela exista como um ser particular. A sua teoria é denominada teoria das causas, segundo a qual a realidade é explicada por quatro tipos de causas: material, formal, eficiente e final (ARISTÓTELES, 2012).
Já para René Descartes (1596-1650), o filósofo francês, a metafísica é a ciência do ser enquanto ser, e busca investigar a verdade das coisas por meio da razão e da intuição. Em sua obra “Discurso do Método”, Descartes busca estabelecer uma base sólida para o conhecimento ao questionar todas as suas crenças e chegar à conclusão de que a única coisa que pode ser considerada verdadeira é a existência do próprio pensamento, conhecida como teoria do cogito (cogito, ergo sum, “penso, logo existo”) (DESCARTES, 1637/2000). A partir disso, ele desenvolve sua teoria do dualismo, que separa o mundo em duas substâncias distintas: o corpo e a mente. A mente é imaterial e pode existir independentemente do corpo, enquanto o corpo é material e pode ser estudado pela ciência (DESCARTES, 1641/2000).
Outro importante filósofo da metafísica é Immanuel Kant, que desenvolveu uma teoria que busca conciliar o empirismo com o racionalismo. Em sua obra “Crítica da Razão Pura”, Kant defende que o conhecimento humano é limitado pelas estruturas da própria mente, e que a metafísica tradicional é incapaz de alcançar conhecimento verdadeiro sobre a realidade em si mesma. Segundo Kant, a metafísica deve se limitar ao estudo dos limites do conhecimento humano, ou seja, às condições necessárias para que o conhecimento seja possível (KANT, 2005).
Esses filósofos, entre outros, deixaram contribuições significativas para o desenvolvimento da metafísica como área de estudo filosófico. Suas ideias continuam a ser objeto de reflexão e debate na contemporaneidade.
Referências:
ARISTÓTELES. Metafísica. 2. ed. São Paulo: Edipro, 2012.
DESCARTES, R. Discurso do Método. São Paulo: Martin Claret, 1637/2000.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Martin Claret, 1641/2000.
KANT, I. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Martin Claret, 2005.
PLATÃO. A República. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
