Platonismo

O Platonismo é uma das correntes filosóficas mais influentes e duradouras da história da filosofia ocidental. Fundado pelo filósofo grego Platão (c. 427-347 a.C.), o Platonismo representa um sistema de pensamento que abrange, sobretudo, a ciência (o que chamamos hoje de epistemologia), a moral e a política (MARCONDES, 2007) e que continua a exercer uma profunda influência sobre a filosofia, a ciência e a cultura até os dias de hoje.

Platão acreditava que a realidade percebida pelos sentidos é apenas uma sombra imperfeita de uma realidade mais fundamental e perfeita. Ele argumentou que o mundo das experiências sensoriais está sujeito a mudanças e imperfeições, enquanto o mundo das Formas, ou Ideias, é eterno, imutável e perfeito. As Ideias são as essências eternas e imutáveis das coisas, e o mundo sensível é uma manifestação imperfeita dessas Ideias.

A alegoria da caverna, apresentada em sua obra, “A República”, é uma metáfora poderosa que ilustra a diferença entre o mundo sensível e o mundo das Ideias. Nesta alegoria, as pessoas estão acorrentadas em uma caverna, olhando para uma parede onde veem sombras de objetos que passam por trás delas. Essas sombras representam o mundo sensível, enquanto os objetos reais fora da caverna representam o mundo das Ideias. A libertação das correntes e a ascensão à luz do sol simbolizam o processo de filosofia e a busca pela verdade das Ideias (PLATÃO, 2016).

Um dos conceitos centrais do Platonismo é a teoria da reminiscência. Platão propôs em seu discurso Fédon (ou da alma), que as almas humanas já conhecem as Ideias, pois as experienciaram em uma vida anterior antes de vir a este mundo. O processo de aprendizado é, portanto, um ato de relembrar ou recordar essas Ideias (PLATÃO, 2015).

Além disso, o Platonismo tem implicações significativas para a ética e a política. Platão argumentou que os filósofos, por causa de seu conhecimento das Ideias, eram os mais aptos a governar, em um sistema que ele chamava de “filosofia régia” ou “governo dos filósofos”. Ele acreditava que apenas os filósofos eram capazes de compreender a verdadeira natureza da justiça, da virtude e do bem comum (PLATÃO, 2016).

Ao longo da história, o Platonismo influenciou pensadores notáveis, desde os primeiros Padres da Igreja, como Agostinho de Hipona, até filósofos renomados da Renascença, como Marsílio Ficino, e pensadores modernos como Alfred North Whitehead. Sua influência pode ser vista em campos tão diversos quanto a teologia, a matemática e a filosofia política.

Em suma, o Platonismo é uma corrente filosófica que continua a ressoar através dos séculos devido à sua visão profundamente idealista da realidade, sua ênfase na busca da verdade e na importância do conhecimento filosófico como guia para uma vida virtuosa e uma sociedade justa. É uma filosofia que nos lembra da busca eterna pela perfeição em meio à imperfeição do mundo sensível.

Referências

MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

PLATÃO. A República. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

PLATÃO. Diálogos III – Socráticos: Fedro (ou Do Belo); Eutífron (ou Da Religiosidade); Apologia de Sócrates; Críton (ou Do Dever); Fédon (ou Da Alma). 2. ed. São Paulo: EDIPRO, 2015.

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