Fenomenologia

A fenomenologia é uma corrente filosófica que emergiu no final do século XIX e início do século XX, tendo como seu fundador o filósofo alemão Edmund Husserl. Ela se caracteriza por uma abordagem rigorosa e sistemática que busca explorar e descrever a estrutura e a natureza da experiência consciente, colocando a consciência no centro de sua investigação (BICUDO, 1994). A fenomenologia oferece um método e uma perspectiva únicos para a compreensão da realidade e da subjetividade.

O termo “fenomenologia” deriva de “fenômeno”, que se refere a tudo o que aparece à consciência. Nesse sentido, a fenomenologia procura investigar não apenas a realidade objetiva tal como ela é, mas também a realidade tal como se manifesta para o sujeito que a experimenta (CERBONE, 2012). Ela busca descrever, de forma detalhada e precisa, como as coisas se apresentam à consciência, evitando preconceitos e suposições sobre a natureza da realidade.

Uma das características distintivas da fenomenologia é a epoché, “redução fenomenológico-transcendental”, um ato de suspensão do juízo ou abstenção do pensamento, no qual o filósofo deixa de lado suas crenças e pressupostos pessoais para se dedicar a uma investigação pura e imparcial da experiência (CERBONE, 2012; MARTINI, 1999). Isso permite a apreensão de aspectos muitas vezes negligenciados ou subestimados da experiência cotidiana.

A fenomenologia também se concentra na noção de “intencionalidade”, que se refere ao modo como a consciência está sempre direcionada para objetos ou conteúdos, ou seja, a consciência é sempre uma consciência de algo (CERBONE, 2012). Essa característica é fundamental para a compreensão da relação entre sujeito e objeto na experiência.

Outro conceito importante na fenomenologia é o de “eidética”, que se refere à essência ou estrutura fundamental de um fenômeno (CERBONE, 2012; JOSGRILBERG, 2015). A fenomenologia procura identificar essas estruturas essenciais através da análise fenomenológica, a fim de alcançar uma compreensão mais profunda das categorias e propriedades universais que caracterizam a experiência.

Além de Husserl, a fenomenologia teve outros pensadores proeminentes, como Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty, cada um dos quais desenvolveu abordagens distintas para a fenomenologia e aplicou seus princípios a diversas áreas da filosofia, como a ontologia, a ética e a filosofia da mente.

Em suma, a fenomenologia é uma corrente filosófica que se destaca por sua ênfase na descrição detalhada da experiência consciente, na suspensão do juízo e na análise da intencionalidade. Ela oferece uma perspectiva única para a compreensão da subjetividade e da natureza da realidade, influenciando não apenas a filosofia, mas também áreas como a psicologia, a sociologia e a fenomenologia existencial.

Referências

BICUDO, M. A. V. Sobre a Fenomenologia. In: BICUDO, M. A. V.; ESPÓSITO, V. H. C. (orgs.). Pesquisa qualitativa em educação. Piracicaba: Unimep, 1994, p. 15-22. Disponível em: <http://www.mariabicudo.com.br/resources/CAPITULOS_DE_LIVROS/Sobre%20a%20fenomenologia.pdf&gt;. Acesso em: 01. nov. 2023.

CERBONE, D. R. Fenomenologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

JOSGRILBERG, R. S. Fenomenologia e educação. Notandum, v. 38, p. 5-14, 2015. Disponível em: <http://www.hottopos.com/notand38/05-14Rui.pdf&gt;. Acesso em: 01. nov. 2023.

MARTINI, R. DA S. A fenomenologia e a epochê. Trans/Form/Ação, v. 21-22, n. 1, p. 43–51, 1999. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/trans/a/GR4xVs5xgNRKPFwG4S37jXx/?lang=pt>. Acesso em: 01. nov. 2023.

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