Originado no subcontinente indiano, o Jainismo é uma antiga tradição espiritual que floresceu no contexto da ascensão e disseminação de diversas filosofias religiosas. Fundado por Vardhamana Mahavira no século VI a.C. (DE BRITO, 2011; STELLA, 1964), o Jainismo emergiu como uma resposta singular às indagações existenciais e às complexidades éticas que permeiam a experiência humana.
O cerne da fé Jain reside no cânon, que se chama Siddhânta “a doutrina”, escrito em um dialeto indiano conhecido como ardhamâgadi, e também nos princípios fundamentais conhecidos como Triratna: Samyak Darshana (verdadeira visão ou verdadeira fé), Samyak Jnana (verdadeiro conhecimento) e Samyak Charitra (verdadeiro comportamento). Esses três pilares fornecem a base para a jornada espiritual do praticante, guiando-o em direção à libertação, ou “moksha“, do ciclo interminável de renascimento (STELLA, 1964).
A doutrina dos jainas é intrinsecamente ligada aos conceitos de karma, a força que parte das ações boas ou más do Homem e de ahimsa, ou não-violência, que transcende o âmbito físico para abranger pensamentos e palavras (STELLA, 1964). A prática da não-violência estende-se ao extremo de um cuidadoso caminhar para evitar prejudicar seres microscópicos no solo. Os jainistas adotam uma dieta vegetariana rigorosa, centrada na promoção da não-violência (USARSKI; SOUZA; STOCKLR, 2023) e seguem uma vida de simplicidade para minimizar seu impacto no mundo.
O ascetismo é uma faceta proeminente do Jainismo, com ascetas renunciando às amarras mundanas em busca da iluminação espiritual. A busca pela pureza interior é refletida em rituais de purificação e empenho na prática de penitências rigorosas. Para fazer parte da vida monástica jainista: “O noviço renuncia a todos os seus bens, raspa os cabelos, recebe um novo nome e pronuncia solenemente os 5 ‘grandes votos’: 1) não matar; 2) abandono de toda a palavra mentirosa; 3) não roubar; 4) castidade absoluta; 5) renúncia a toda a possessão” (STELLA, 1964, p. 385).
A simbologia no Jainismo é expressa através do conceito de 24 Tirthankaras ou Têrthamkaras (aqueles que atravessam o rio das ilusões), seres iluminados que alcançaram a libertação e servem como guias espirituais (DE BRITO, 2011). Os Jainistas reverenciam vários Tirthankaras, com Rishabha sendo considerado o primeiro entre eles.
Em síntese, o Jainismo, com sua ênfase na compaixão, não-violência e desapego, oferece uma visão única sobre a espiritualidade e a moralidade. A tradição continua a inspirar buscadores espirituais e a promover um profundo respeito pela vida em todas as suas formas.
Referências
DE BRITO, Rodrigo Pinto. Pirro e Índia, Similaridade Entre o Pirronismo e o Jainismo. Alétheia-revista de estudos sobre Antiguidade e Medievo, v. 1, p. 55-63, 2011. Disponível em: <https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/31808497/Aletheia_012011.pdf?1377880411=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DALEXANDRIA_ROMANA_POR_DION_
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STELLA, J. B. A religião de Jina. Revista de História, [S. l.], v. 28, n. 58, p. 383-387, 1964. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.rh.1964.122688. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/122688>. Acesso em: 19. dez. 2023.
USARSKI, F.; SOUZA, P.; STOCKLR, L. O estudo do Jainismo na PUC-SP. PRAJNA, revista de culturas orientais, v. 4, n. 6, p. 194-210, 2023. Disponível em: <https://revistaprajna.com/ojs3/index.php/prajna/article/view/95>. Acesso em: 05. mar. 2025.
