Nos séculos XVII e XVIII, floresceu o Iluminismo, um movimento cultural filosófico responsável por uma notável transformação intelectual na história do pensamento ocidental. Originando-se no rescaldo da Idade Média, esse movimento filosófico foi impulsionado por uma confiança intrépida na razão humana, na ciência e na capacidade do homem de emancipar-se das amarras da ignorância e da tirania. Alguns dos pensadores iluministas que se destacaram foram John Locke, François-Marie Arouet, conhecido como Voltaire, Denis Diderot, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant (ZENI, 2010).
No âmago do Iluminismo, encontram-se princípios fundamentais, como a valorização da razão, concebida como a luz que dissipa as trevas da superstição e do dogma, elevando-a à condição de guia supremo na busca pelo conhecimento e na compreensão do mundo (TAVARES; ORNELAS, 2022). A ciência e o progresso também foram valores intrínsecos deste movimento intelectual que representou uma revolução nos métodos de pensamento, desafiando estruturas estabelecidas e fomentando a experimentação e o livre pensamento.
A ciência, nesse contexto, emergiu como a principal ferramenta para desvendar os mistérios da natureza e da sociedade. A confiança na observação, experimentação e análise crítica levou a avanços significativos em diversas disciplinas, alimentando a crença de que a aplicação sistemática da razão poderia melhorar as condições de vida e moldar um futuro mais promissor.
O Iluminismo propôs uma visão otimista e progressista da humanidade. Os pensadores iluministas acreditavam no potencial humano para a autotransformação e aprimoramento contínuo. A educação foi considerada uma ferramenta essencial para libertar as mentes das garras da ignorância e para criar cidadãos capazes de contribuir para o bem comum (ZENI, 2010).
No plano político, as ideias iluministas tiveram um impacto profundo nas discussões sobre governança e direitos individuais. A noção de contrato social e a defesa dos direitos naturais foram centrais para muitos filósofos iluministas, moldando o pensamento que mais tarde influenciaria a formação de governos democráticos (TAVARES; ORNELAS, 2022).
Entretanto, o Iluminismo não foi uma panaceia universal. Seus ideais progressistas foram muitas vezes confrontados por forças conservadoras, e as contradições inerentes a algumas das ideias iluministas deram origem a críticas. Além disso, as ideias que circulavam no Iluminismo não eram necessariamente originais. É possível rastrear traços de seu pensamento à Antiguidade, Idade Média, Renascimento e Época Clássica, com representações advindas da China, Índia e do Oriente Médio (BOTO; BREYMAIER, 2024).
Apesar disso, seu legado persiste, haja vista que suas noções contribuíram de maneira inegável para o desenvolvimento do pensamento moderno e para a construção dos alicerces da sociedade contemporânea. Pensadores como Locke, Rousseau, Voltaire e Kant são mencionados nas universidades até os dias de hoje.
Referências
BOTO, C.; BREYMAIER, S. C. O Século XVIII e a Leitura como Ato Político: Iluminismo e Revolução. Educ. Soc., Campinas, v. 45, e284631, 2024. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/es/a/bVybpvDVHMW7HPhPXzcSbcm/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 26. fev. 2025.
TAVARES, S. B.; ORNELAS, S. A. V. Para começar a entender o Iluminismo e o Direito: um breve olhar a partir do pensamento de Immanuel Kant (1724-1804). Revista da Faculdade de Direito do Sul de Minas, Pouso Alegre, v. 38, n. 1, pp. 196-213, 2022. Disponível em: <https://revista.fdsm.edu.br/index.php/revistafdsm/article/download/470/359/1465>. Acesso em: 11. jan. 2024.
ZENI, A. B. Educação e autonomia no Iluminismo. In: Congresso Internacional de Filosofia e Educação (CINFE), n. 5, 2010, Caxias do Sul. Disponível em: <https://www.ucs.br/ucs/tplcinfe/eventos/cinfe/artigos/artigos/arquivos/eixo_
tematico9/Educacao%20e%20Autonomia%20no%20Iluminismo.pdf>. Acesso em: 11. jan. 2024.
