Empirismo: o braço filosófico da ciência experimental

O Empirismo é uma corrente filosófica que se desenvolveu principalmente no século XVII, destacando-se como uma das principais tradições epistemológicas da filosofia ocidental. Este movimento filosófico surge como uma resposta crítica ao racionalismo predominante na época, representado por filósofos como René Descartes. O Empirismo busca compreender a origem do conhecimento humano e as bases do entendimento, argumentando que a experiência sensível é a fonte fundamental de todo o conhecimento (MARCONDES, 2007). Seus principais expoentes foram Francis Bacon (1561-1626), Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704), George Berkeley (1685-1753) e David Hume (1711-1776).

De todos os filósofos dessa escola, talvez seja Francis Bacon aquele que possamos considerar o seu principal idealizador. Bacon foi um nobre inglês que por meio de suas principais obras, a Instauratio magna (A grande instauração) que compreende o Novum organum (Novo órgão), criticou o método dedutivo de Aristóteles, propondo a indução, a experiência e a investigação como parte da razão instrumental do saber (ARANHA; MARTINS, 2016).

O filósofo britânico John Locke, cuja obra “Ensaio Acerca do Entendimento Humano” (1690) é considerada uma referência essencial, propôs que a mente humana é uma “tábula rasa” (folha em branco) no nascimento, sem ideias inatas, e que todas as nossas ideias derivam da experiência sensorial. Ele distinguiu entre a sensação, que é a percepção direta dos objetos externos, e a reflexão ou razão, que é a percepção interna das operações da própria mente (PEREIRA; LIMA, 2017).

George Berkeley, outro importante filósofo empirista, avançou a ideia de que a existência das coisas depende da percepção. Sua filosofia, conhecida como idealismo subjetivo, sugere que os objetos existem apenas enquanto estão sendo percebidos. Assim, a realidade é construída pela mente e não tem uma existência independente (DOWNING, 2021).

O escocês David Hume, por sua vez, expandiu as investigações empiristas ao explorar a natureza do conhecimento causal. Ele argumentou que não podemos observar causalidade diretamente, mas apenas eventos que ocorrem em sucessão. Portanto, a noção de causa e efeito é uma inferência baseada em hábito e associação de ideias, em vez de uma verdadeira certeza racional (MARCONDES, 2007).

O Empirismo, em contraste com o racionalismo, rejeita a ideia de conhecimento a priori e enfatiza a importância da experiência sensorial na formação do conhecimento e no desenvolvimento do entendimento humano. No entanto, é importante notar que os empiristas não negam completamente o papel da razão; eles reconhecem a sua importância na organização e reflexão sobre as experiências sensíveis.

Essa tradição filosófica teve um impacto significativo no desenvolvimento da ciência moderna, influenciando pensadores como Isaac Newton e contribuindo para a consolidação do método científico baseado na observação e experimentação. O Empirismo continua a ser uma corrente de grande relevância para a filosofia contemporânea, moldando debates sobre a natureza do conhecimento, a mente humana e a relação entre a experiência e a realidade.

Referências

ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2016.

DOWNING, L. “George Berkeley”. In: ZALTA, E (org). The Stanford Encyclopedia of Philosophy (online). 2021. Disponível em: <https://plato.stanford.edu/archives/fall2021/entries/berkeley/&gt;. Acesso em: 15. jan. 2024.

MARCONDES, D. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein.13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

PEREIRA, M. C.; LIMA, P. G. Sobre o Racionalismo e o Empirismo no Campo Pedagógico. Ensaios Pedagógicos[S. l.], v. 1, n. 1, p. 67–76, 2017. Disponível em: <https://www.ensaiospedagogicos.ufscar.br/index.php/ENP/article/view/8&gt;. Acesso em: 15 jan. 2024.

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