A Economia é uma área do conhecimento multidisciplinar que se dedica ao estudo da alocação de recursos escassos para satisfazer as necessidades e desejos humanos. “Etimologicamente, a palavra ‘economia’ vem dos termos gregos oikós (casa) e nomos (norma, lei). Pode ser compreendida como ‘administração da casa’, algo bastante comum na vida das pessoas” (MENDES et al., p. 16). Em síntese, a Economia é uma ciência social que aborda questões fundamentais relacionadas à produção, distribuição e consumo de bens e serviços em uma sociedade.
No âmbito da Economia, diversas teorias e abordagens têm sido desenvolvidas ao longo do tempo para compreender os mecanismos que regem as atividades econômicas. Desde as primeiras formulações de Adam Smith sobre a “mão invisível” do mercado até as sofisticadas análises contemporâneas da economia comportamental, a disciplina evoluiu consideravelmente.
Um dos pilares da Economia é a Teoria Microeconômica, que se concentra no estudo do comportamento de agentes econômicos individuais, como consumidores, empresas e governos. Nessa área, conceitos como oferta, demanda, preço, elasticidade, custos de produção e concorrência (CARRERA-FERNANDEZ, 2009) são analisados para entender como a tomada de decisão afeta o funcionamento dos mercados.
Por outro lado, a Teoria Macroeconômica, fundada por John Maynard Keynes (FERREIRA, 2003) trata das questões agregadas da economia, como produto interno bruto (PIB), inflação, desemprego, política fiscal e monetária. Ela busca compreender os determinantes do crescimento econômico, os ciclos econômicos e os impactos das políticas governamentais na economia como um todo.
Além disso, a Economia Internacional, “um sistema articulado de economias nacionais intercambiando bens, serviços, capitais e tecnologia, em um contexto dinâmico de assimetrias estruturais” (ALMEIDA, 2001, p. 112), investiga os padrões de comércio e investimento entre os países, bem como os efeitos das políticas econômicas globais nas economias nacionais. Nesse contexto, temas como globalização, balança comercial, taxas de câmbio e acordos comerciais desempenham um papel fundamental.
A Economia também se preocupa com a distribuição de renda e riqueza na sociedade, examinando as disparidades econômicas entre diferentes grupos populacionais e regiões geográficas. Questões de justiça social, pobreza, desigualdade e mobilidade econômica estão no centro dessas análises.
Os três principais fundadores da economia são frequentemente reconhecidos como Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill. Cada um deles contribuiu significativamente para o desenvolvimento da teoria econômica e deixou um legado duradouro em diferentes áreas da disciplina.
- Adam Smith (1723-1790): Considerado o pai da Economia Moderna, Adam Smith é mais conhecido por sua obra seminal “A Riqueza das Nações” (1776), na qual introduziu conceitos fundamentais como a divisão do trabalho, a teoria do valor-trabalho e a defesa do livre mercado. Ele enfatizou o papel da auto interesse e da competição na determinação dos preços e na alocação eficiente de recursos, conceitos que formaram a base do liberalismo econômico.
- David Ricardo (1772-1823): Ricardo foi um economista britânico conhecido principalmente por suas contribuições para a teoria do comércio internacional e para a teoria da distribuição. Em sua obra mais influente, “Princípios de Economia Política e Tributação” (1817), ele desenvolveu a teoria das vantagens comparativas, argumentando que os países se beneficiam ao se especializarem na produção dos bens em que têm uma vantagem relativa de custo. Além disso, Ricardo explorou questões relacionadas à renda da terra e à distribuição de renda entre os fatores de produção.
- John Stuart Mill (1806-1873): Mill foi um dos economistas mais proeminentes do século XIX e contribuiu para uma ampla gama de áreas dentro da economia e da filosofia política. Sua obra mais conhecida, “Princípios de Economia Política” (1848), avançou a análise da demanda, oferta, concorrência e função do governo na economia. Mill também defendeu a intervenção do governo para corrigir falhas de mercado e promover o bem-estar social, uma visão que divergiu em alguns aspectos do liberalismo clássico de Adam Smith.
Nos últimos anos, novas abordagens têm surgido na Economia, incluindo a Economia Comportamental, que incorpora insights da psicologia para entender como os seres humanos tomam decisões econômicas, e a Economia Ecológica, que busca integrar considerações ambientais na análise econômica.
Em resumo, a Economia é uma disciplina vasta e dinâmica que desempenha um papel crucial na compreensão dos processos econômicos e na formulação de políticas públicas. Seu estudo contribui não apenas para o entendimento do mundo em que vivemos, mas também para o desenvolvimento de soluções para os desafios econômicos contemporâneos.
Referências
ALMEIDA, P. R de. A economia internacional no século XX: um ensaio de síntese. Rev. Bras. Polít. Int., v. 44, n. 1, p. 112-136, 2001. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbpi/a/sMq3hjDRZg4rypfxfsM6R6v/?format=pdf>. Acesso em: 27. mar. 2024.
CARRERA-FERNANDEZ, J. Curso Básico de Microeconomia. Salvador: EDUFBA, 2009.
FERREIRA, A. N. Teoria Macroeconômica e Fundamentos Microeconômicos. Tese (Doutorado em Economia) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003. Disponível em: <https://core.ac.uk/download/pdf/296834557.pdf>. Acesso em: 27. mar. 2024.
MENDES, C. M. et al. Introdução à Economia. 3. ed. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2015.
