O Positivismo Lógico, também conhecido como empirismo lógico ou neopositivismo, emergiu no início do século XX como uma importante corrente filosófica que buscava aplicar os métodos e princípios da lógica e da ciência empírica para resolver problemas filosóficos tradicionais (MATTIOLI, 1997). Influenciado pelo trabalho de filósofos como Ludwig Wittgenstein, Bertrand Russell e Gottlob Frege, o Positivismo Lógico se desenvolveu principalmente na Viena dos anos 1920 e 1930, com destaque para o Círculo de Viena, um grupo de pensadores que promovia a investigação científica e a análise lógica como abordagens fundamentais para compreender o mundo.
Em sua essência, o Positivismo Lógico sustenta que o conhecimento genuíno só pode ser obtido por meio da observação empírica e da análise lógica das proposições. De acordo com os positivistas lógicos, as afirmações que não podem ser verificadas empiricamente ou que não têm significado lógico são consideradas sem sentido (MORAES JUNIOR; CARDOSO, 2019). Essa perspectiva reflete a influência do empirismo e do pragmatismo, enfatizando a importância da experiência sensorial e da utilidade prática na construção do conhecimento.
Um dos princípios centrais do Positivismo Lógico é o princípio da verificabilidade, que afirma que uma proposição só é significativa se puder ser empiricamente verificada ou refutada. Isso significa que qualquer afirmação que não possa ser testada empiricamente, como afirmações sobre entidades metafísicas ou sobrenaturais, é considerada vazia de significado e, portanto, irrelevante para a investigação científica (CAVALCANTE, 2015).
Além disso, o Positivismo Lógico defende a ideia de que as ciências empíricas, como a física, a biologia e a psicologia, são os únicos domínios legítimos do conhecimento humano. As questões tradicionais da filosofia, como a natureza da realidade, a mente e o livre arbítrio, são vistas como pseudoproblemas que surgem de confusões linguísticas e que não têm respostas substantivas além da análise lógica e da clarificação conceitual. “Por conseguinte, a única linguagem dotada de sentido é a da física (fisicalismo) e é mister unificar todas as ciências sob este ponto de vista (linguagem unitária e ciência unitária)” (CAMPOS, 1996/2024, p. 113).
No entanto, o Positivismo Lógico enfrentou críticas significativas, especialmente em relação à sua própria consistência lógica e à sua capacidade de lidar com questões filosóficas fundamentais. Críticos argumentaram que o próprio princípio da verificabilidade é autocontraditório, já que ele próprio não pode ser empiricamente verificado. Além disso, a abordagem reducionista dos positivistas lógicos, que buscava reduzir todas as afirmações a enunciados observacionais, foi amplamente contestada como simplista e inadequada para lidar com questões complexas da filosofia e da ciência.
Apesar das críticas, o Positivismo Lógico teve um impacto duradouro no desenvolvimento da filosofia da ciência e da epistemologia, influenciando várias correntes filosóficas posteriores, como o empirismo construtivo e o pragmatismo. Seu foco na precisão lógica, na verificação empírica e na atenção aos detalhes linguísticos continuou a moldar o pensamento filosófico contemporâneo, mesmo que muitos de seus princípios fundamentais tenham sido questionados e revisados ao longo do tempo.
Referências
CAMPOS, R. R. de. O Empirismo Lógico e a Teoria dos Paradigmas. Revista Reflexão, Campinas, v. 21, n. 64/65, p. 107-141, 1996/2024. Disponível em: <https://periodicos.puc-campinas.edu.br/reflexao/article/download/11495/8885/40379>. Acesso em: 24. abr. 2024.
CAVALCANTE, C. M. Filosofia da Ciência e Metodologia Econômica: do positivismo lógico ao realismo crítico. Cad. Hist. Fil. Ci., Campinas, Série 4, v. 1, n.2, p. 263-300, 2015. Disponível em: <https://www.cle.unicamp.br/eprints/index.php/cadernos/article/view/746>. Acesso em: 24. abr. 2024.
MATTIOLI, M. C. Positivismo lógico e suas implicações. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Campinas, n. 9, p. 118-121, 1997. Disponível em: <https://juslaboris.tst.jus.br/handle/20.500.12178/114756>. Acesso em: 24. abr. 2024
MORAES JUNIOR, M. R.; CARDOSO, W. R. da S. Filosofia das Ciências. Um panorama crítico ao positivismo lógico e à metafísica. Problemata: R. Intern. Fil. v. 10, n. 1, p. 90-103, 2019. Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7024017>. Acesso em: 24. abr. 2024.
