Os Sofistas foram um grupo de pensadores e mestres na Grécia Antiga, ativos principalmente durante o século V a.C. No contexto político, social e intelectual de Atenas, os sofistas desempenharam um papel significativo ao oferecerem educação e ensino superiormente sofisticado, especialmente em retórica, argumentação e debate. Este movimento intelectual foi uma resposta ao crescimento da democracia ateniense, à ascensão da importância da persuasão pública e à necessidade de habilidades comunicativas eficazes para a participação cidadã na vida política (CURADO, 2010).
A palavra sofista se origina do termo grego sophistés, que por sua vez, deriva da raiz, sophía, significando sabedoria. Sophistés também se liga à derivação sophós, título de sábio concedido, por exemplo, à Tales de Mileto, um dos Sete Sábios gregos. Esse termo indica a posse de um conhecimento superior, advindo dos deuses, mas também se liga à virtudes como prudência e moderação (CURADO, 2010).
Os sofistas não constituíam uma escola filosófica unificada, mas sim um grupo diversificado de professores que viajavam pela Grécia oferecendo instrução paga. Eles foram os primeiros a profissionalizar o ensino da retórica e da argumentação, cobrando taxas dos estudantes para o aprendizado dessas habilidades valiosas (CORNELLI; LOPES, 2018). Esta prática era vista por alguns como controversa, pois colocava em questão a moralidade da cobrança por conhecimento e habilidades que poderiam ser usadas para persuadir e influenciar.
Protágoras é talvez o sofista mais famoso, conhecido por sua frase “O homem é a medida de todas as coisas”, refletindo uma visão relativista e pragmática do conhecimento e da verdade. Górgias, por outro lado, destacou-se pela sua habilidade retórica e pela teoria do “elogio de Helena”, onde argumentava que a habilidade do orador podia transformar o bem e o mal. Araújo (2013) também destaca Trasímaco, Pródicos e Hípias.
Os sofistas foram criticados por filósofos como Platão, que os retratou pejorativamente em seus diálogos, especialmente em “Protágoras” e “Górgias”. Platão via os sofistas como charlatães que vendiam habilidades superficiais de persuasão sem se preocupar com a busca da verdade objetiva ou da virtude moral. Além de Platão, tinham preconceitos contra os sofistas, seu discípulo, Aristóteles e Xenofonte (OLIVEIRA, 2018).
No entanto, é importante reconhecer que os sofistas também desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da filosofia e do pensamento crítico na Grécia Antiga. Eles desafiaram concepções tradicionais de conhecimento e ética, estimulando debates que influenciaram profundamente o pensamento subsequente na história ocidental. Além disso, suas técnicas retóricas e argumentativas foram fundamentais para o florescimento da democracia ateniense, permitindo aos cidadãos participar ativamente na política e na vida pública através do poder da persuasão e do discurso convincente.
Em resumo, os sofistas foram figuras complexas e multifacetadas na história intelectual da Grécia Antiga, cujo legado suscita debates sobre o ensino, o conhecimento, a ética e o poder da linguagem até os dias atuais.
Referências
ARAÚJO, D. V. de. As Contribuições dos Sofistas para o Fenômeno da Educação numa Perspectiva Contemporânea. Cadernos do PET Filosofia, [S. l.], v. 4, n. 7, p. 53-64, 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufpi.br/index.php/pet/article/view/2088>. Acesso em: 25. jun. 2024.
CORNELLI, G.; LOPES, R. (Coord). Platão. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2018.
CURADO, E. B. F. O Movimento Sofista e o Ensino da Areté. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Goiânia, 2010. Disponível em: <https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/6/o/Tese_Eliana_Borges_Fleury_Curado.pdf?1337352757%20>. Acesso em: 26. jun. 2024.
OLIVEIRA, J. S. de. Movimento Sofístico na Grécia (séculos V e IV a. C.): o trabalho de ensinar. Conjectura: filos. e Educ., Caxias do Sul, v. 23, n. 3, p. 513-540, 2018. Disponível em: <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2178-46122018000400006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 25. jun. 2024.
