Aristotelismo: a filosofia dos peripatéticos

O Aristotelismo é uma tradição filosófica baseada nas obras e pensamentos de Aristóteles, um dos maiores filósofos da Grécia Antiga. Ele tratou de quase todas as áreas do conhecimento de sua época, como física, biologia, metafísica, lógica, política, poética, ética e retórica, tendo fundado sua própria escola em Atenas, o Liceu. Desenvolvido ao longo dos séculos, o Aristotelismo influenciou profundamente a filosofia ocidental, a ciência e a teologia.

Princípios Fundamentais

Metafísica

A metafísica aristotélica é central ao seu pensamento. Aristóteles introduziu a ideia de substância (ousia), que ele considerava como a base de toda realidade. Ele diferenciava entre substância e acidente, onde a substância é o que existe em si mesmo, enquanto acidentes são propriedades que não podem existir separadamente da substância. Aristóteles também introduziu a doutrina das quatro causas: causa material, causa formal, causa eficiente e causa final. Essas causas explicam não apenas a existência das coisas, mas também seus propósitos e mudanças (REALE, 2002).

Lógica

Aristóteles é amplamente reconhecido como o pai da lógica formal. Seus trabalhos em lógica, coletivamente conhecidos como o Organon, incluem o desenvolvimento do silogismo, uma forma de argumento dedutivo que serve como fundamento para a lógica clássica. O silogismo aristotélico consiste em duas premissas e uma conclusão, e sua estrutura formaliza o raciocínio lógico (ROSS, 1995).

Ética

Na “Ética a Nicômaco”, Aristóteles propõe a ideia de eudaimonia, frequentemente traduzida como “felicidade” ou “flourishing“. Para Aristóteles, a eudaimonia é o fim último da vida humana, alcançado através da virtude (aretê) e da racionalidade. Ele introduz o conceito de “meio termo” (mesótes), sugerindo que a virtude reside no equilíbrio entre extremos de excesso e deficiência (ARISTÓTELES, 1985).

Política

Aristóteles também fez contribuições significativas à filosofia política. Em “Política”, ele argumenta que o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em polis (cidade-estado). Ele explora diferentes formas de governo, incluindo monarquia, aristocracia e democracia, defendendo a politeia, um governo misto que combina elementos de todas essas formas, como o mais estável e justo (ROSS, 1995).

Evolução Histórica

Antiguidade

Após a morte de Aristóteles, seus seguidores, conhecidos como peripatéticos, continuaram a desenvolver e expandir suas ideias. O Liceu, a escola fundada por Aristóteles em Atenas, tornou-se um centro de aprendizado onde suas obras foram estudadas e comentadas (ROSS, 1995).

Idade Média

Durante a Idade Média, o Aristotelismo foi preservado e expandido pelos filósofos islâmicos, como Avicena e Averróis. Suas traduções e comentários das obras de Aristóteles reintroduziram suas ideias na Europa Ocidental. Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos cristãos, incorporou o Aristotelismo em sua própria filosofia, criando a síntese tomista que uniu a filosofia aristotélica com a doutrina cristã (AQUINAS, 1947).

Renascimento e Modernidade

O Renascimento viu um renascimento do interesse no Aristotelismo, com o humanismo renascentista promovendo o estudo das obras clássicas. No entanto, a Revolução Científica do século XVII desafiou muitos dos conceitos aristotélicos, particularmente na física. Apesar disso, os princípios lógicos e éticos de Aristóteles continuaram a influenciar o pensamento filosófico (ROSS, 1995).

Impacto e Legado

O impacto do Aristotelismo é vasto e duradouro. Suas contribuições à lógica formaram a base da lógica formal até o século XIX. Na ética e na política, suas ideias sobre virtude e a natureza social do homem continuam a ser relevantes. Na metafísica, suas distinções entre substância e acidente, bem como as quatro causas, permanecem fundamentais para a filosofia ocidental (REALE, 2002; ARISTÓTELES, 1985).

Além disso, a integração do Aristotelismo na teologia cristã medieval moldou profundamente a doutrina e a prática religiosa no Ocidente. A influência de Aristóteles na filosofia islâmica e na escolástica medieval demonstra a universalidade e a durabilidade de suas ideias (AQUINAS, 1947).

Conclusão

O Aristotelismo, com seus princípios abrangentes e profundos, representa uma das correntes mais influentes da filosofia ocidental. Desde a antiguidade até os tempos modernos, suas ideias têm sido uma fonte de inspiração e debate. Através de suas contribuições à metafísica, lógica, ética e política, Aristóteles deixou um legado duradouro que continua a moldar o pensamento filosófico e científico até os dias de hoje.

Referências

AQUINAS, T. Summa Theologica. Trad. Fathers of the English Dominican Province. Nova York: Benziger Bros., 1947.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Trad. Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.

REALE, G. Metafísica de Aristóteles. São Paulo: Loyola, 2002.

ROSS, W. D. Aristotle. Londres: Routledge, 1995.

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