Mitologia Suméria

Introdução

Situada na antiga mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, região atual do Iraque, Irã e Síria, a Suméria foi a primeira civilização avançada da qual se tem registro histórico. Tendo o seu aparecimento em 3.100 antes de Cristo, no final da era do cobre e início da era do bronze, os sumérios foram uma sociedade agrícola, pioneiros em sistemas de irrigação para plantações, que fundaram as cidades de Quixe ou Kush, Nipur, Uruque, Lagaxe, Ur e Eridu. Possuidores de excepcionais habilidades artísticas, os sumérios eram exímios músicos e dominavam a capacidade de esculpir em mármore, madeira e cobre.

De todos os seus feitos, talvez a sua maior contribuição para o avanço da humanidade tenha sido a criação do primeiro sistema de escrita, a escrita cuneiforme (SOUZA, 2020). Encontradas em tabuletas de argila e pedra, a escrita cuneiforme conta a primeira história da criação do homem. De acordo com essa história, após sua criação, os primeiros humanos viviam no paraíso ou jardim de Dilmun, onde não havia envelhecimento nem doença, mas perderam o direito de lá viver pois comeram o fruto de uma árvore proibida. Essa história não soa extremamente familiar? Bem, vamos começar do começo.

Os Anunnaki e Nibiru

Os sumérios eram politeístas (TELLES; TOLEDO, 2020) e cultuavam os deuses chamados de Anunnaki. A palavra Anunnaki é a conjunção dos termos sumérios, Anu, que significa céu e Ki que significa Terra, o que implica que os Anunnaki eram aqueles que vieram do céu para a Terra. Segundo a mitologia suméria, os Anunnaki foram os responsáveis pela criação da raça humana. Mas quem realmente foram os Anunnaki?

Segundo a tradução de Zecharia Sitchin das tábuas de argila, contida em seus três livros The 12th Planet, The Lost Realms e Genesis Revisited, os Anunnaki eram uma civilização tecnologicamente avançada que enfrentavam um problema na atmosfera de seu planeta Nibiru, semelhante ao que enfrentamos hoje com os buracos na camada de ozônio da Terra. Esse problema acabou deixando o planeta frio demais. Para solucioná-lo, eles decidiram que deveriam pulverizar ouro e jogá-lo sobre sua atmosfera, para que a luz fosse refletida para dentro do planeta, impedindo que o calor o deixa-se. No entanto, seu próprio planeta não possuía ouro o suficiente, então eles decidiram vir para a Terra entre 300.000 e 400.000 anos atrás para minerar o ouro que havia aqui.

A Criação do Primeiro Homem

Apenas 300 de sua raça, conhecidos como Igigi, desceram à Terra para minerar o ouro, sob a supervisão de 12 deuses. Dos 12, destacam-se Enlil e Enki, dois irmãos filhos de Anu, que viviam disputando entre si. Após um período estimado de 150 mil anos minerando o ouro, esses trabalhadores Anunnaki se rebelaram contra os 12 supervisores, não aceitando mais trabalhar. Os 12 chefes tiveram que pensar uma outra solução, foi então, que decidiram criar uma raça para realizar o trabalho. Misturando o seu DNA com o de uma raça que havia evoluído dos primatas antropoides, o Homo Erectus, criaram eles o Homo Sapiens, o primeiro homem, chamando-o de Adamu.

A tradução de Zecharia Sitchin foi descreditada pelos acadêmicos, tido como pseudociência, no entanto, outro tradutor das tábuas sumérias, Anton Parks, autor do livro Éden, também afirma que os Anunnaki são os deuses sumérios que vieram das estrelas e que eles estabeleceram uma colônia na Mesopotâmia. Ao chegarem, eles criaram o Homo Sapiens através de engenharia genética a partir de um primata evoluído. O principal geneticista era Enki, auxiliado por Nintis. Seu irmão Enlil pede a Enki para criar seres sem livre-arbítrio, que pudessem ser controlados, funcionando apenas como escravos. Mas após criar a raça humana, Enki faz vários experimentos genéticos com os seres humanos em segredo, inserindo em seu genoma habilidades superiores que pertenciam apenas aos Anunnaki. Quando os outros deuses percebem, eles se enfurecem com Enki. De fato, Enki queria que os seres humanos fossem como os outros deuses, enquanto Enlil os enxergava apenas como animais.

O Jardim de Dilmun

Criados com traços divinos (BASTOS, 2021), os seres humanos viviam em Dilmun, o jardim dos deuses no qual não havia doença e nem pesar e onde Enki era seu protetor. Nesse jardim havia uma árvore reservada pela deusa Nin-harsag, que não deveria ser tocada. A história conta que um dia um dos humanos comeu oito frutos da árvore proibida. Como castigo, um deus expulsou os humanos do jardim.

A história suméria continua através do Épico de Atrahasis. O Épico de Atrahasis conta que após certo período os seres humanos se tornam barulhentos demais e perturbam o descanso dos deuses. Enlil, fica irritado e em conjunto com os outros deuses decide enviar um dilúvio para exterminar os seres humanos. Enki, o amigo da humanidade, se compadece e decide avisar o seu bom servo Atrahasis sobre a chegada do dilúvio. Ele instrui Atrahsis a construir uma arca e a levar nela dois animais de cada espécie. A mesma história é contada na Epopeia de Gilgamesh, mas dessa vez o herói é Ziusudra.

Similaridades com a Bíblia

De acordo com Parks, a palavra Éden é de origem suméria, significando “casa da vida”, palavra essa que viria a ser substituída posteriormente pela palavra de raiz grega paraíso. Ligando os pontos, fica evidente que o Jardim do Éden é na verdade o jardim de Dilmun, que o Adamu sumério é na verdade Adão e que Noé é a versão bíblica de Atrahasis e Ziusudra. Nesse caso, Enki seria a serpente do jardim, que instrui Eva a comer do fruto proibido, desencadeando o livre-arbítrio e quebrando o controle dos deuses sumérios sobre os seres humanos. Enlil, que seria na verdade Javé, ao descobrir a traição de Enki, e o pecado de Adão e Eva, os expulsa do jardim.

Conclusão

Muito embora a mitologia suméria seja fascinante e encontre inúmeros paralelos com as histórias contadas na parte hebraica da bíblia, isto é, no antigo testamento, não há evidência científica de que os Anunnaki realmente vieram das estrelas para minerar ouro e acabaram criando a raça humana. É importante ressaltar, entretanto, que não é raro que dois povos que viveram no mesmo espaço geográfico e no mesmo tempo, compartilhem aspectos culturais e até ancestrais em comum que tenham transmitido as mesmas histórias.

Referências

BASTOS, J. S. Gênesis Bíblico Versus Teogonia(s): o mito da criação e a relação criador e criatura. 2021. Dissertação (Mestrado em Literatura Comparada) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2021. Disponível em: <https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/59599/5/2021_dis_jsbastos.pdf&gt;. Acesso em: 13. mar. 2025.

SOUZA, S. M. de. Contribuições da civilização sumeriana para a história da escrita. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2020. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/219615&gt;. Acesso em: 13. mar. 2025.

TELLES, L. de A.; TOLEDO, T. F. B. de. A Espiritualidade Suméria como Agente do Pluralismo Religioso Mesopotâmico. NEARCO – Revista Eletrônica de Antiguidade e Medievo, v. 12, n. 1, p. 133-154, 2020. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/nearco/issue/view/2403&gt;. Acesso em: 13. mar. 2025.

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