Monges Tibetanos Desafiam a Ciência ao Controlam a Temperatura do Corpo, o Consumo de Oxigênio e as Ondas Cerebrais

Nas últimas décadas, a ciência tem se voltado com crescente interesse para os efeitos da meditação profunda sobre o corpo humano, especialmente entre monges budistas de tradições tibetanas. Entre esses praticantes, destacam-se os adeptos avançados do tummo, uma prática ancestral de meditação pertencente à escola Vajrayana — vertente esotérica do budismo tibetano. Esses monges têm demonstrado capacidades notáveis de autorregulação de funções fisiológicas tradicionalmente consideradas involuntárias, como a temperatura corporal, a frequência respiratória e os padrões de atividade cerebral. Tais habilidades não apenas desafiam os limites convencionais do conhecimento biomédico, mas também suscitam questões profundas sobre o potencial latente da mente humana em influenciar diretamente o funcionamento do organismo.

Estudo de Harvard Sobre os Efeitos da Meditação

Em 1981, o cardiologista de Harvard, Dr. Herbert Benson, provou que monges budistas tibetanos podem controlar a sua temperatura corporal, o seu consumo de oxigênio e as suas ondas cerebrais usando técnicas de respiração e meditação. Após receberem a aprovação do Dalai Lama, Dr. Benson e sua equipe viajaram para as elevadas altitudes das montanhas do Himalaia e passaram os dez anos seguintes conduzindo pesquisa sobre o que exatamente acontecia nos corpos e nos cérebros dos lamas enquanto praticavam meditação.

O Controle da Temperatura Corporal

Normalmente quando nós humanos somos expostos a temperaturas extremamente baixas, o fluxo sanguíneo para as extremidades é diminuído, baixando assim sua temperatura para que o centro do corpo continue aquecido. No entanto, isso não é o que aconteceu com os monges que saíram para meditar na neve a uma temperatura de 4,4 a -1º C apenas de shorts. A temperatura de suas extremidades, isto é, dos dedos das mãos e dos pés aumentou em 8,3º C em alguns casos (BENSON et al, 1982).

O Controle das Ondas Cerebrais

Para descobrir o que estava acontecendo nos cérebros dos monges durante essas meditações, os cientistas utilizaram equipamentos para medir as suas ondas cerebrais. Eles descobriram que os cérebros dos monges entraram em um estado chamado Assimetria Marcada em Ondas Alpha e Beta, o que significa que metade do cérebro deles estava no estado alpha, onde há calma e relaxamento profundo, enquanto a outra metade estava em estado beta, que é um estado de alta estimulação e concentração mental (BENSON et al, 1990).

O Controle do Metabolismo

Também foi medido o consumo de oxigênio dos monges durante esses estados meditativos e se descobriu que o seu consumo de oxigênio diminuiu em 64%, o que simplesmente nunca havia sido registrado na literatura científica (BENSON et al, 1990). Para se ter um comparativo, quando dormimos, momento em que estamos profundamente quietos e relaxados, e que o nosso metabolismo desacelera, o consumo de oxigênio só diminui 10%.

Tal feito evidencia uma notável supressão metabólica, comparável a estados de hibernação observados em certos mamíferos. Essa capacidade é especialmente notável durante práticas contemplativas como o samatha, que visa o apaziguamento das flutuações mentais por meio da concentração unifocada, ou o dzogchen, abordagem própria da tradição Nyingma do budismo tibetano que conduz o praticante a um estado de presença lúcida e repouso não dual. Nesses estados avançados, os parâmetros fisiológicos sofrem modificações profundas, sugerindo um refinado domínio sobre o sistema nervoso autônomo e uma possível reconfiguração temporária das exigências bioenergéticas do corpo, sem prejuízo à consciência ou à integridade funcional.

Por fim, um último experimento foi realizado no qual a temperatura dos monges foi medida enquanto eles meditavam em temperaturas extremamente baixas. Para piorar mais um pouco, os monges molharam lençóis em baldes de água a uma temperatura de 9,4ºC, os colocaram em volta do corpo sem vestir nada além de shorts e começaram a meditar. O resultado foi que não só a temperatura do corpo deles não diminuiu como aumentou.

Conclusão

Esses achados pioneiros ilustram de maneira impressionante o potencial humano de influenciar conscientemente processos fisiológicos até então considerados automáticos e impossíveis de serem controlados. A capacidade dos monges tibetanos de regular a temperatura corporal, o metabolismo e a atividade cerebral não só desafia os paradigmas científicos tradicionais, mas também amplia o entendimento sobre a inter-relação entre mente e corpo.

Diante de tais evidências, cabe perguntar: estaríamos diante de habilidades latentes, talvez ainda inexploradas, que colocam em xeque os limites do que hoje chamamos de natural ou científico? Esses fenômenos observados em monges budistas levantam questões profundas sobre o verdadeiro potencial da consciência humana — e se, em determinadas condições, ela poderia acessar habilidades consideradas até então como extrassensoriais ou sobrenaturais.

Referências

BENSON, H. et al. Body temperature changes during the practice of g-Tummo yoga. Nature, v. 295, n. 5846, p. 234–236, 1982. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/295234a0&gt;. Acesso em: 21. jul. 2025.

BENSON, H. et al. Three case reports of the metabolic and electroencephalographic changes during advanced Buddhist meditation techniques. Behavioral Medicine, Washington, v. 16, n. 2, p. 90–95, 1990. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2194593/&gt;. Acesso em: 21. jul. 2025.

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