Telepatia em Crianças Autistas: O curioso caso das Telepathy Tapes

A telepatia, compreendida como a transferência direta de informações entre mentes sem o uso de canais sensoriais convencionais, ocupa tradicionalmente uma posição marginal na ciência contemporânea. Apesar disso, relatos documentados ao longo da história — e mais recentemente por meio de registros como as chamadas Telepathy Tapes — têm desafiado paradigmas dominantes sobre os limites da cognição humana, sobretudo no que diz respeito a populações com déficits severos de comunicação verbal, como o espectro autista não falante.

As Telepathy Tapes

As Telepathy Tapes (fitas de telepatia) constituem um conjunto de gravações (audiovisuais e documentais) que emergiram de contextos clínicos e familiares, nos quais se observam episódios considerados inexplicáveis sob os modelos tradicionais de linguagem e neurociência. Tais registros relatam comunicações precisas e coerentes entre crianças autistas não verbais e interlocutores adultos — frequentemente pais ou terapeutas — por meios telepáticos. Em muitos desses relatos, as crianças demonstram conhecimento de conteúdos nunca expostos diretamente a elas, ou respondem com precisão a perguntas formuladas mentalmente, sem quaisquer gestos, expressões ou indicações físicas perceptíveis. A recorrência dessas ocorrências sugere a possibilidade de uma forma latente de cognição extra-sensorial, especialmente aguda em indivíduos cuja neurodiversidade os impede de operar através da linguagem falada.

Estudos Científicos sobre Telepatia

Um dos nomes mais notáveis a investigar esses fenômenos com rigor acadêmico é o da Dra. Diane Powell, neurologista formada pela Johns Hopkins University School of Medicine e ex-membro da equipe da Harvard Medical School. Em seus estudos sobre comunicação em autistas não verbais, Powell propôs a hipótese de que a telepatia pode representar uma via alternativa de comunicação acessada por indivíduos cujo sistema linguístico tradicional encontra-se comprometido. Em um de seus experimentos preliminares, descrito em entrevistas e artigos de divulgação científica, uma criança autista foi capaz de identificar corretamente, de forma repetida e precisa, números e palavras aleatórias exibidas a outra pessoa em uma sala separada, mesmo sem qualquer contato visual ou auditivo (SKEPTIKO, 2015).

Segundo ela, tais habilidades podem não ser meras anomalias, mas manifestações de uma forma primária de cognição compartilhada, que teria sido suprimida ao longo do desenvolvimento filogenético da espécie humana em favor da linguagem articulada. O cérebro de indivíduos autistas, argumenta ela, por operar com padrões atípicos de conectividade e filtragem sensorial, poderia preservar circuitos neurológicos aptos à recepção e transmissão de informações telepáticas (SKEPTIKO, 2015).

Outros relatos associados às Telepathy Tapes apontam para fenômenos igualmente intrigantes, como a sincronicidade de pensamentos entre irmãos gêmeos autistas, a antecipação de comandos antes mesmo de sua formulação verbal, e a percepção instantânea de emoções complexas em interlocutores humanos e animais. Esses dados desafiam as concepções tradicionais da mente como uma entidade isolada e confinada ao sistema nervoso individual. Em vez disso, sugerem a existência de uma forma de “campo mental compartilhado”, análogo aos modelos propostos por Rupert Sheldrake em sua teoria dos campos mórficos (SHELDRAKE, 2009), ou às concepções junguianas do inconsciente coletivo.

Nesse contexto, as pesquisas de Stephen E. Braude (2003), Dean Radin (2006), Mario Beauregard (2007) representam um esforço legítimo de restabelecer pontes entre o estudo da consciência e os fenômenos psíquicos, muitas vezes relegados ao campo da pseudociência por razões epistemológicas e institucionais, mais do que empíricas. Uma revisão sistemática feita por Cardeña (2018) publicada no American Psychologist, reforça essa necessidade ao apresentarem evidências empíricas de diversos fenômenos psíquicos — incluindo telepatia, clarividência, precognição e psicocinesia — investigados por meio de protocolos experimentais rigorosos, replicações independentes e metanálises estatísticas. O autor argumenta que, embora esses dados desafiem explicações convencionais, sua robustez estatística exige que tais fenômenos sejam levados a sério pelo mainstream científico, especialmente no campo emergente dos estudos da consciência.

Conclusão

Assim, as Telepathy Tapes devem ser encaradas como um acervo provocativo que questiona os limites da cognição humana e desafia o paradigma reducionista da neurociência atual. Ao iluminar as formas misteriosas de consciência e comunicação entre crianças autistas não verbais, elas nos convidam a uma profunda revisão dos conceitos de mente, linguagem e intersubjetividade.

Referências

BEAUREGARD, M.; O’LEARY, D. The Spiritual Brain: A Neuroscientist’s Case for the Existence of the Soul. San Francisco: HarperOne, 2007.

BRAUDE, S. E. Immortal Remains: The Evidence for Life After Death. Lanham: Rowman & Littlefield, 2003.

CARDEÑA, E. The experimental evidence for parapsychological phenomena: A review. American Psychologist, v. 73, n. 5, p. 663-677, 2018. Disponível em: <https://psycnet.apa.org/doiLanding?doi=10.1037%2Famp0000236&gt;. Acesso em: 29. jul. 2025.

RADIN, D. Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Nova Iorque: Paraview Pocket Books, 2006.

SHELDRAKE, R. A New Science of Life: The Hypothesis of Formative Causation. Londres: Icon Books, 2009.

SKEPTIKO. Dr. Diane Powell on Telepathic Savant Children [Podcast episode]. 2015. Disponível em: <https://skeptiko.com/257-diane-powell-telepathy-among-autistic-savant-children&gt;. Acesso em: 28. jul. 2025.

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