Louvre: O Maior Museu do Mundo

O Museu do Louvre, localizado em Paris, é indiscutivelmente um dos mais importantes e vastos museus de arte e civilização já instituídos pelo homem. Sua origem remonta ao século XII, quando o então rei Filippo II de França ergueu uma fortaleza nas margens do rio Sena por volta de 1190, com a função de defender a cidade de invasões navais (BRESC-BAUTIER, 2008). Ao longo dos séculos seguintes, essa fortificação foi ampliada e transformada gradualmente em um palácio real luxuoso da monarquia francesa, especialmente sob os reinados de Luís XIV e seus sucessores, até que a ideia de tornar o espaço um museu público ganhou peso durante a Revolução Francesa, sendo inaugurado formalmente em 1793 como Museu Central das Artes da República Francesa (MCCLELLAN, 1994).

O Louvre hoje abriga uma coleção de mais de 500 mil objetos, dos quais aproximadamente 35 mil obras de arte estão expostas ao público, divididas em oito departamentos curatoriais que cobrem um vasto arco cronológico e cultural da história da humanidade (MUSÉE DU LOUVRE, 2025). São eles: Antiguidades Egípcias; Antiguidades do Oriente Próximo (mesopotâmicas); Antiguidades Gregas, Etruscas e Romanas; Arte Islâmica; Esculturas; Artes Decorativas; Pinturas; e Impressões e Desenhos.

Sua coleção inclui desde artefatos pré-históricos e antiguidades egípcias, mesopotâmicas e gregas até pintura, escultura e arte decorativa europeia dos períodos medieval, renascentista e moderno. Entre as obras mais emblemáticas estão a “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci, a Vênus de Milo, a Vitória de Samotrácia e “Les Noces de Cana” de Paolo Veronese (HALL, 2000).

Principais Departamentos e Obras-Chave

Antiguidades Egípcias

O Departamento de Antiguidades Egípcias do Louvre é uma das maiores e mais completas coleções egiptológicas do mundo, contando com mais de 50 mil peças que documentam a civilização do Nilo desde cerca de 4.000 a.C. até o século IV d.C. Essas coleções cobrem períodos como o Antigo Império, o Médio e o Novo Reinos, a era ptolemaica, e até a presença romana e bizantina no Egito (ROBINS, 1997).

As coleções egípcias nasceram da antiga coleção real e foram significativamente ampliadas após a expedição de Napoleão ao Egito (1798-1799), quando muitos artefatos foram trazidos a Paris sob a orientação de Dominique Vivant, futuro diretor do Louvre. Após a decifração dos hieróglifos por Jean-François Champollion, o rei Carlos X decretou a formação oficial de um departamento egípcio em 1826, estabelecendo a egiptologia como disciplina científica no museu (CHAMPOLLION, 1828; MCCLELLAN, 1994).

Esse departamento abriga esculturas, papiros, instrumentos e joias. Talvez a sua principal obra seja O Escriba Sentado de Saqqara, datado aproximadamente da IV Dinastia (c. 2620–2500 a.C.). Esculpida em calcário policromado, com olhos incrustados em cristal de rocha, cobre e magnésio, a obra representa um homem em posição sentada, com o torso ereto e um papiro semiaberto sobre as pernas, em atitude de atenção e prontidão intelectual, testemunho singular do lugar social e intelectual ocupado pelos escribas na civilização faraônica (ROBINS, 1997).

Uma das características que mais fascinam os visitantes é a presença de múmias egípcias, que oferecem uma janela direta para as práticas funerárias e crenças sobre a vida após a morte no antigo Egito. Embora existam múltiplas múmias associadas ao departamento, uma das mais destacadas é aquela conhecida como a múmia de Pacheri, um homem que viveu durante o Período Ptolemaico (c. 305–30 a.C.) — um período tardio da história egípcia em que culturas grega e egípcia se fundiram após a conquista de Alexandre, o Grande (IKRAM, 2003). Além da múmia em si, o departamento abriga sarcófagos e materiais funerários que aprofundam o entendimento das técnicas de embalsamamento e dos significados simbólicos associados à morte.

Antiguidades do Oriente Próximo (Mesopotâmia)

O departamento de Antiguidades do Oriente Próximo — também chamado de Antiguidades Mesopotâmicas — apresenta coleções provenientes das civilizações que floresceram nas planícies férteis entre os rios Tigre e Eufrates, notadamente Suméria, Acádia e Babilônia.

Nesse conjunto encontram-se monumentos e artefatos emblemáticos como a Estela dos Abutres (c. 2450 a.C.), a Estela de Naram-Sin e o Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis escritas da história humana, gravado em uma estela de pedra de mais de 2 metros de altura e datado de 1792 e 1750 a.C. durante a Primeira Dinastia da Babilônia. Esses artefatos revelam práticas religiosas, estruturas políticas, e a evolução do direito e da escrita num dos berços da civilização. Essa estela não é apenas valiosa pela antiguidade de seu conteúdo legal, mas também por representar um marco no desenvolvimento de sistemas jurídicos complexos e codificados no mundo antigo (ROTH, 1997; VANDEMIEROOP, 2005), que influenciaram tradições legais posteriores.

Pinturas e Esculturas

O Louvre possui também uma coleção extraordinária de pinturas, com mais de 7.500 obras que vão do século XIII ao XIX, incluindo representações religiosas, mitológicas e retratos que definiram e acompanharam transformações estéticas profundas na Europa.

Entre essas obras, a “Mona Lisa” (também chamada de La Gioconda) de Leonardo da Vinci é a mais conhecida, atraindo milhões de visitantes todos os anos por sua técnica refinada de sfumato (esfumaçar) e pela aura de mistério que acompanha seu enigmático sorriso. Outras obras de destaque incluem a Vênus de Milo, escultura helenística representando a deusa Afrodite; a Vitória de Samotrácia, obra emblemática da escultura clássica grega; a monumental “Les Noces de Cana” de Veronese, pintura que ocupa uma parede inteira da galeria e obras de mestres como Eugène Delacroix e Nicolas Poussin (GOMBRICH, 1995).

O Louvre na Atualidade e Sua Relevância Cultural

Em adição às suas coleções permanentes, o Louvre é um centro dinâmico de pesquisa e conservação, utilizando modernas tecnologias para tornar seu acervo acessível inclusive online, com plataformas que permitem a consulta e visualização de milhares de peças digitalizadas. A própria arquitetura do Louvre (do antigo palácio medieval à célebre pirâmide de vidro projetada por I. M. Pei em 1989, que funciona como entrada principal do museu) representa um diálogo entre tradição e modernidade (JODIDIO, 2009).

Conclui-se, que o Museu do Louvre constitui-se não apenas no mais vasto repositório de obras de arte e artefatos históricos do mundo, mas também em um espaço vivo de diálogo entre civilizações, oferecendo ao público — seja ele leigo ou especializado — uma experiência singular de encontro com a expressão humana ao longo dos milênios.

Referências

BRESC-BAUTIER, G. The Louvre: A Tale of a Palace. Paris: Somogy Art Publishers, 2008.

CHAMPOLLION, J. F. Précis du système hiéroglyphique des anciens égyptiens. Paris: Imprimerie royale, 1828.

GOMBRICH, E. H. The Story of Art. 16. ed. Londres: Phaidon, 1995.

HALL, J. The World as Sculpture: The Changing Status of Sculpture from the Renaissance to the Present Day. Nova Iorque: Vintage Publishing, 2000.

IKRAM, S. Death and Burial in Ancient Egypt. Cairo: American University in Cairo Press, 2003.

JODIDIO, P. I. M. Pei: The Louvre Pyramid. Nova Iorque: Prestel, 2009.

MCCLELLAN, A. Inventing the Louvre: Art, Politics, and the Origins of the Modern Museum in Eighteenth-Century Paris. Berkeley: University of California Press, 1994.

MUSÉE DU LOUVRE. Collections. Paris, 2025. Disponível em: <https://www.louvre.fr/en/explore/collections&gt;. Acesso em: 24. dez. 2025.

ROBINS, G. The Art of Ancient Egypt. Cambridge: Harvard University Press, 1997.

ROTH, M. T. Law Collections from Mesopotamia and Asia Minor. Atlanta: Scholars Press, 1997.

VANDEMIEROOP, M. V. King Hammurabi of Babylon: A Biography. Oxford: Blackwell, 2005.

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